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 * A Trama *

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Gaia
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Mensagens : 16
Data de inscrição : 12/10/2009
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MensagemAssunto: * A Trama *   Sex Nov 27, 2009 8:57 pm

*§ A chuva de raios §*


Era início de Junho de 2006. O Acampamento Meio-Sangue não estava em sua lotação máxima, uma vez que os campistas de Verão ainda estavam em casa, esperando pelo o início de Julho, quando finalmente retornariam ao único lugar do mundo realmente seguro para eles.

Em torno do vale, nuvéns pesadas e escuras se achegavam e a maior parte dos campistas desejava que elas pudessem transpassar a barreira mágica que protegia o Acampamento. Depois de uma tarde escaldante, uma boa chuva seria muito bem vinda. Infelizmente, o desejo deles acabaria por se realizar, o problema é que não seria exatamente água a cair.

Uma jovem de cabelos loiro-mel caminhava pelo gramado, entre os chalés e o lago, olhando para cima. As nuvéns tempestuosas cobriram o céu do anoitecer sobre sua cabeça e isso não deveria estar acontecendo. Havia sido uma tarde calorenta, mas aquilo não parecia ser apenas uma chuva... As nuvéns eram monstruosamente escuras, enfurecidas. Pelo menos ela, Isabelle, achava.

Enquanto isso dois pontos sobrevoavam o lago em círculos, ao mesmo tempo em que perdiam altitude. Eram dois pégasos bastante conhecidos pelos campistas. Um era branco como a neve e olhos vermelhos, o outro tinha o pêlo cinza-azulado e olhos azuis claros: Caça-ventos e Oceano, respectivamente. Ambos carregavam humanos em seu dorso, e antes mesmo que pousassem qualquer um saberia de quem se tratavam: Sara e Sean, o casal de gêmeos filhos de Poseidon, deus dos mares. Segundo diziam, aqueles pégasos eram presentes de seu pai e nunca tinham sido vistos por ali antes da chegada deles.

Assim que pousaram, a porta do chalé nº 1 abriu-se. Era Thomas, um rapaz alto, de cabelos negros e olhos cinza que, ultimamente, tinha decidido conquistar o coração de Isabelle, assim como já tinha decidido conquistar metade dos corações femininos do Acampamento (e havia conseguido, diga-se).

Mas estes jovens não eram os únicos que presenciariam o que estava para acontecer. Na verdade, cada alma viva saia de seus chalés ou oficinas olhando curiosamente para os céus, ou melhor, para as nuvéns que o cobriam. Náiades, dríades e sátiros uniram-se aos meios-sangues, todos olhavam para o alto, até que o inesperado aconteceu, e mesmo o filho de Zeus tendo sido o único a enxergar exatamente o que havia se passado, todos estavam boquiabertos.

Um raio rompeu das nuvéns, caindo mortalmente sobre a cabeça de Isabelle. Ela estava morta, foi o que Thomas, filho do Senhor do Olimpo, pensou. Mas para sua surpresa, ela não estava. Um enorme pavão usara sua cauda em leque para proteger a garota que, inconscientemente, quase como se estivesse hipnotizada pela beleza do animal, puxou uma de suas enormes penas, que pareceu desprender-se sem dificuldade.

As nuvéns rugiram e raios começaram cair delas, atingindo diversas regiões do Acampamento meio-sangue. Sátiros, náiades, dríades e meios-sangues gritavam e corriam para os abrigos mais próximos, desesperados pela fúria que o céu cuspia bem acima de suas cabeças. Muitos jurariam mais tarde que haviam escapado de um raio que caíra a pouquíssimos metros de distância.

Uma força se espalhou pelo corpo de Thomas, arrepiando-lhe os pelos e lhe pinicando. Sua visão ficou turva e tudo o que aconteceu em seguida mal foi captado por seu cérebro. Quíron avançava pelo gramado, gritando ordens para os campistas. Alcançou Isabelle rapidamente e a puxou para seu dorso. Thomas sentiu um ódio inexplicável naquilo tudo, uma fúria intensa invadia seu corpo e ele tinha certeza que aquele nível de ódio não podia ser de sua natureza. No entanto era forte demais, não havia sentido algum em resistir, ele queria matar a jovem de cabelos loiro-mel. Ou melhor, a força que o dominava queria isso.

Uma asa branca e enorme cobriu a retaguarda da garota, bastou que Thomas olhasse um pouco mais para esquerda para perceber um pégaso branco flanqueando Quíron. Em seu dorso estava Sara, com seus olhos verdes ameaçadores. Ela não queria que a mão erguida do filho de Zeus cumprisse seu objetivo: Lançar um raio nas costas de Isabelle, uma vez que agora era a asa de seu cavalo alado que estava na reta.

Como ela ousava? Aquilo era um desafio? O ódio ficou ainda maior, e agora o sangue de duas garotas era exigido, e não apenas de uma. A energia elétrica faiscou em sua mão, acumulando-se, quando algo forte golpeou-lhe o estômago. Era o tridente de bronze de Sean, que havia ficado para trás para deter o amigo. Não foi exatamente uma luta. Sean basicamente se desviava dos raios lançados por Tom, principalmente porque não queria machucar o cara que, anos atrás, havia trazido sua irmã e ele em segurança para o Acampamento. No entanto Thomas não parecia dar sinais de calmaria, assim como as nuvéns também não davam sinais do fim da chuva de raios, e Sean foi obrigado a apelar para as habilidades de sua arma. Com um movimento de tridente, uma tromba de nuvem desceu, atingindo o filho de Zeus e lançando-o na parede de seu chalé, desacordado. Sean correu para lá e verificou que os sinais vitais do amigo eram bons.

A chuva de raios perdurou por toda aquela noite. Os campistas se abrigaram por onde puderam e ali permaneceram até o amanhecer do dia seguinte.



*§ A Ruptura §*


Se raios golpearam o crepúsculo do Acampamento Meio-sangue, no Olimpo a situação não era diferente, tão pouco menos preocupante. Zeus experimentava agora de seu próprio remédio e o gosto não era nada saboroso. Durante séculos ouviram-se histórias sobre dezenas de filhos heróis que o Amontoador de nuvéns tivera com mortais, constantemente traindo sua esposa, Hera.

O que havia acontecido surpreendeu todo o Olimpo, ninguém esperava que a deusa do casamento traísse seu marido. Mas antes de uma deusa, Hera era uma mulher, e os deuses apesar de todo o seu poder sempre mantiveram uma conduta muito mortal. Hera encontrara um mortal de descendência italiana diferente da maioria dos outros homens. Ele acreditava no amor e na fidelidade, sonhava em constituir uma família, e Hera acabou por se apaixonar, mesmo que isso fosse contra tudo o que ela representava. Era uma mulher, afinal. Que mulher não sucumbiria ao seu príncipe encantado? Aquele homem que parecia ser seu ideal?

Para agravar a situação, Hera havia protegido a filha e negava-se a dizer quem era o seu amante. É claro que Zeus detestou ambas as atitudes, e se não atacou Hera ali mesmo foi porque havia deuses que estavam ao seu lado nesta situação.

Afrodite achara a atitude de Hera absolutamente romântica e não pensou duas vezes antes de juntar-se a ela. Athena fez o mesmo, primeiro por achar a atitude do pai hipócrita e machista, e segundo porque o pai havia atacado a jovem Isabelle diretamente, e interferir assim na vida dos meios-sangues era completamente fora das regras. Prudência e justiça, isso é Athena, afinal. Demeter ficou também ao lado da irmã, e Hefesto não hesitou em ficar contra o pai que o havia lançado do topo do Olimpo.

Ares, é claro, ficaria do lado vencedor que, ele acreditava, seria Zeus. Dionísio também ficou com o pai, e por isso foi obrigado a encerrar suas funções no Acampamento, uma vez que os deuses que estavam com Hera não desejavam que a direção do local ficasse por conta de um deus que estava contra eles. Apolo não viu nada de tão grave na atitude de Hera, mas mesmo assim ficou com Zeus. Hermes tinha a mesma opinião de seu meio-irmão, seria particularmente difícil para ele, já que era o único fruto das traições de Zeus que não incomodava Hera... Ela até apreciava a inteligência do mensageiro dos deuses, mesmo assim este ficou ao lado de Zeus, disposto a tentar apaziguar o pai. Ares estava com eles, e isso era realmente preocupante.

Três deuses mantiveram-se neutros neste conflito: Poseidon, Artemis e Hades. Os dois primeiros acabaram respondendo aos agressivos ultimatos que Zeus enviou nos dias seguintes, e ambos acabaram por escolher ficar ao lado de Hera. Artemis jamais ficaria ao lado de um homem (principalmente um homem infiel como o pai) quando tinha como opção ficar ao lado de uma mulher, mesmo não achando o que Hera tinha feito algo maravilhoso. Poseidon ficou contra Zeus por sentir-se ofendido com o conteúdo ameaçador das mensagens enviadas. Já Hades nem sequer compareceu a reunião, e muito menos respondeu aos ataques de revolta de Zeus. O Senhor do Olimpo até ordenou que fosse construído um chalé para o Senhor do Mundo dos Mortos no acampamento, em sua honra. Hades apenas revirou os olhos e continuou sem escolher um lado. Sua única atitude foi proibir a ida de Perséfone ao Olimpo, e talvez essa tenha sido a atitude mais perigosa para os mortais.



*§ Seis anos depois §*


A Terra simplesmente não era a mesma. Os homens finalmente haviam passado a acreditar nas profecias de fim dos tempos, uma vez que nem os cientistas mais conceituados puderam descobrir o que havia acontecido.

Há seis anos não havia Primavera, era como se a estação das flores estivesse extinta. O Inverno agora durava metade do ano e a mudança brusca da temperatura quando chegava o Verão colaborou para a proliferação de doenças respiratórias. Vírus novos começaram a surgir e agora doenças como a AIDS ou o câncer já não eram mais preocupantes, pois para essas já existiam tratamentos, enquanto os novos surtos de doenças eram algo inteiramente novo. Centenas de pessoas morriam sem ter a menor chance de tratamento.

A natureza também sofreu com o fim da estação, já que a Primavera era a principal época de reprodução das plantas. Sem esta e aliando-se a isso o constante desmatamento por parte dos homens, as florestas e bosques reduziram-se em dezenas de hectares. Evidentemente a fiscalização ambiental dos governos se intensificou e só por isso as coisas não estavam piores.

O Acampamento Meio-sangue também enfrentava alguns problemas. Por dois anos o substituto do Senhor D. na direção do acampamento, Quíron, conseguiu manter em segredo a situação no Olimpo, Isabelle passou este tempo tendo a Casa Grande como chalé, decisão do novo diretor para sua segurança. As missões foram proibidas e todos os semideuses foram “intimados” a tornarem-se campistas de ano todo, afinal seria mais fácil manter o segredo se todos ficassem isolados ali. Mas é claro que o assunto acabou por chegar aos ouvidos de campistas, talvez por algum monstro que tenham enfrentado, talvez por uma fofoca levada por um deus mal intencionado. Nenhuma das duas opções era boa. Não havia mais sentido em esconder tudo, então Isabelle foi enviada para o chalé de Hera, levando consigo a pena arrancada do pavão que a salvara dois anos atrás e a prendendo a um pavão esculpido em mármore dentro de seu chalé. Aquela pena manteria qualquer pessoa má intencionada longe dali.

Durante os quatro anos seguintes os times do jogo “Capture a Bandeira” eram exatamente os mesmos: Hera, Athena, Afrodite, Demeter, Hefesto e Poseidon contra Zeus, Dionísio, Hermes, Ares e Apolo. Já Camille, a filha de Hades que chegou ao Acampamento Meio-sangue um ano após a Ruptura, costumava revezar, bem como seus poucos irmãos mais novos, ficando cada ano em um time, já que seu pai não havia escolhido um lado naquela guerra. Pelo menos ela podia usufruir do chamado “Chalé Zero”, uma tentativa de chantagem por parte de Zeus que não havia dado certo.

Claro que os meios-sangues não eram como os deuses, que mantinham a pose e faziam com que o conflito só acontecesse por debaixo dos panos (para a tristeza de Ares). Era uma verdadeira Guerra Fria 2.0. Os jovens meio humanos, meio divinos, por outro lado, conseguiram transformar cada jogo e cada aula moderadamente arriscada em verdadeiras guerras. Muitos imploravam pela volta da corrida de bigas e Quíron negava veementemente o pedido. Como se ele já não estivesse tendo feridos demais durante as aulas.

Os semideuses que não compravam a briga dos pais, mantendo amizades com campistas cujo parente olimpiano estava em um time oposto, eram claramente hostilizados por aqueles que lutavam ao lado dos pais, fosse com olhares, fosse com caras enfiadas em privadas. 2012 não estava sendo um ano fácil, longe disso... Você fará parte dele?
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